O sofrimento silencioso dos cavalos e o paradoxo (des)humano

Os seres humanos vivem e trabalham com cavalos há mais de 5.500 anos. Alguns historiadores afirmam que a civilização moderna não seria construída sem a ajuda dos seus cascos—para transportar arados, puxar carruagens, marchar soldados para a batalha e levar mensagens de amor e guerra através de centenas de quilómetros, de outra forma intransponíveis.

No entanto, a realidade desta espécie não é tão romântica quando olhamos para a sua presente situação.

O cavalo tem características naturais ignoradas na nossa sociedade humana. Vários estudos recentes que mencionarei abaixo mostram a proximidade entre o humano e o cavalo, assim como a interpretação, observação e adaptação deles em relação a nós. Quero salientar alguns tópicos sobre este assunto:

Sobre a adaptação social

Os resultados de um estudo efetuado em 2017 mostraram que os cavalos aprendem através da observação de outras espécies, neste caso, dos seres humanos.

Uma investigação efetuada em 2016 revelou a primeira evidência das capacidades dos cavalos interpretarem expressões faciais humanas positivas (felizes) e negativas (raivosas) em fotografias. Os rostos irritados induziram respostas indicativas de uma compreensão funcional dos estímulos: os equinos exibiram um viés de olhar esquerdo (uma lateralização geralmente associada a estímulos percebidos como negativos) e um aumento da frequência cardíaca em relação a essas fotografias. 

Os resultados de um outro estudo  publicado em Maio de 2019 foram mais além sobre este assunto e mostraram que os cavalos podem inclusive lembrar-se de expressões emocionais que eles viram nos rostos humanos.

Sobre a dor

Os cavalos sentem dor. Aliás, muita dor, camuflada pela sua natureza de ser uma presa, o que lhe confere uma maior contenção na demonstração da dor em comparação com os humanos. Mas nesta comparação existe um pormenor interessante. Num artigo efectuado pela veterinária patologista Lydia Tong demonstrou que a epiderme do cavalo (a camada mais alta da pele onde os nervos que sentem a dor se encontram) era na verdade mais fina do que a epiderme humana. Isso significa que o cavalo tem menos células da pele entre a fonte da dor (por exemplo, um chicote) e as suas terminações nervosas sensíveis. 

Um estudo recente de 2020, com a participação da Dra. Tong, mostra que (tradução livre), “Estas descobertas mostram que, embora a pele do cavalo seja mais espessa em geral do que a pele humana, a parte da pele que é mais espessa não os isola da dor que é gerada durante um golpe de chicote, e que humanos e cavalos têm as estruturas anatômicas básicas equivalentes para detectar dor na pele”.

Um estudo de 2018 mostrou como as embocaduras causam dor no cavalo e ao mesmo tempo originam comportamentos estereotipados. 

Sobre os “problemas” de comportamento relacionados com os humanos

As nossas pesquisas internas na Dinamarca mostram que os problemas mais relatados em cavalos que atendemos são o medo, a entrada nos trailers e os comportamentos estereotipados consequentes do (ainda) crescente hábito dos humanos os confinarem em boxes várias horas ou dias. Os restantes problemas são resultados de um fraco ou errado ensino baseado em comportamentos coercivos dos humanos, da subestimulação e da falta de habituação aos ambientes. Confinar os cavalos em estábulos e currais é também uma prática comum sob o argumento anedótico de os proteger de se ferirem, particularmente em áreas onde a performance dos cavalos (corridas, desporto) é um factor valioso. 

De ressaltar que o maior desafio do etologi.dk na Dinamarca há duas décadas tem sido a conscientização dos humanos a darem uma maior liberdade aos cavalos e dos mesmos não estarem confinados em boxes. A natureza dos cavalos não é em ambientes urbanos ou dentro de estábulos, e alguns estudos reforçam a nossa tese, que temos esperança ter algum desenvolvimento dentro da área:

Este estudo de 2020 mostra a influência do tempo de pasto no comportamento natural da espécie.

Um estudo de 2012 mostra nas suas conclusões que (tradução livre): “No geral, a noção de permitir que um cavalo tenha acesso ao pasto com movimento voluntário em vez de confinamento em estábulos parece ter mérito para ajudar o cavalo a manter a forma durante um período de dispensa (descanso).  No estudo atual, a participação de 24 horas nas quais o cavalo percorre uma distância significativa devido ao tempo decorrido e ao comportamento de pastar, contribuiu para a capacidade do cavalo de manter músculos, conteúdo mineral ósseo e aptidão para exercícios”. 

Um estudo de 2019 mostra que o confinamento em estábulos impacto de forma negativa a formação óssea dos cavalos, independentemente da idade. 

Um estudo de 2019 em colocar cavalos em boxes individuais mostra que (tradução livre): “No geral, a principal conclusão deste estudo é que os efeitos prejudiciais causados pelas privações espaciais, sociais e alimentares deste sistema habitacional não poderiam ser atenuados por pequenas instalações na box ou mudanças nas práticas de gestão. Para preservar o bem-estar dos cavalos, parece necessário permitir exercícios livres, interações com membros da mesma espécie e o consumo de fibras com a maior frequência possível, para garantir a satisfação das necessidades comportamentais e fisiológicas da espécie”.

Um estudo experimental de 2019 sobre a influência da arquitectura dos estábulos versus o comportamento dos cavalos, mostrou que (tradução livre): “Os resultados mostram relações estatísticas claras entre a arquitetura dos estábulos e o comportamento dos cavalos, especialmente STB, a sua prevalência e o tipo diferem de acordo com o tipo de estábulo em ambos os estudos. De forma geral, o acesso à visibilidade externa e do seu grau (a possibilidade de colocar a cabeça de fora, ou não) tiveram um grande efeito no comportamento dos cavalos, que foi o mesmo em ambos os estudos, apesar das diferenças entre as populações em termos de raça, sexo e  tipo de trabalho. O estudo experimental também revela que as mudanças nos comportamentos podem ser rápidas após uma mudança de moradia/local”.

O respeito pela natureza das espécies é um requerimento essencial para todos os seres vivos. No entanto, é preocupante como estes assuntos necessitam de entrar no campo científico em vez de ser de um normal senso-comum. Fotos de Roberto Barata.

Sobre o bem-estar

As técnicas modernas em etologia e psicologia experimental permite-nos ter um amplo conhecimento a nível das análises sensoriais, motoras, dos efeitos das hormonas, da motivação, do comportamento das espécies quando estão em boas ou más condições, entre outros. Este conhecimento criou várias formas de avaliar o bem-estar animal e de aplicá-la nos animais domésticos.

O bem-estar animal é tipicamente medido através de parâmetros de saúde, fisiológicos e de comportamento. O comportamento natural é avaliado de acordo com o etograma (lista descritiva dos comportamentos) da espécie.

Em Janeiro de 2019, foi publicado um artigo sobre um modelo para a avaliação da dor nos cavalos através de um sistema de vídeo.

A sobrecarga nos equídeos é outra preocupação que compromete seriamente o seu bem-estar. Um artigo científico recentemente publicado fez uma revisão crítica aos artigos existentes, quantificando o impacto das cargas que os equídeos transportam, onde saliento esta parte (tradução livre): “Há uma série de causas para o mal-estar dos equídeos no trabalho, por exemplo, alta carga de trabalho, abrigo impróprio, comida, água, manuseio (chicotadas e direção inadequada), práticas prejudiciais (corte nas narinas), falta de infraestrutura de apoio (bons ferradores, seleiros, e cuidados de saúde), marginalização, condições ambientais adversas, falta de inclusão nos sistemas jurídicos e aplicação de programas.  A sobrecarga de equídeos é um dos muitos problemas que podem levar à redução do bem-estar, o que é uma preocupação global. O trabalho em olarias (transporte de tijolos) parece estar associado a maiores problemas de bem-estar em equídeos trabalhadores em comparação com outros sectores, embora a gravidade, a extensão e os padrões de bem-estar e as questões de saúde variem entre os países e as olarias dentro de um país. O bem-estar dos equídeos trabalhadores deve ser melhorado por meio de ações coletivas das comunidades proprietárias de equídeos, juntamente com as organizações que as apoiam”.

O transporte de tijolos é um exemplo de excesso de carga em equídeos. Foto de visualise.com.

 

De salientar que os ambientes artificiais propiciam comportamentos anómalos, desde o espaço per se, como a influência de vários factores no campo sensorial que não são consideradas pelos humanos: iluminação, temperatura, frequências sonoras, eletromagnetismo, substâncias químicas, etc.

Um estudo de 2021 sobre as pressões em cabeções, com e sem embocaduras, fez uma descoberta interessante: “A remoção da embocadura da boca do cavalo significa que as forças de tensão da rédea são distribuídas para outras estruturas faciais. Este estudo demonstra que essas forças são suficientemente altas para possivelmente ter efeitos prejudiciais.  O design e o uso de cabeções (…) devem ser cuidadosamente considerados à luz dessa descoberta.”

As questões éticas envolvidas

O meu ponto inicial de discussão, desde que comecei, em 2008, o meu estudo na área da antrozoologia (estudo das relações entre os humanos e não-humanos), sempre foi a tendência em criar-se necessidades através de conteúdo multimedia e vários estudos sobre os benefícios dos animais não humanos para os humanos, mesmo que esses estudos falhem desde o início devido a uma hipótese mal fundamentada. Existe no entanto a coincidência dos mesmos irem de encontro ao mercado económico, às tendências sociais e, numa rápida pesquisa, confirmam-se que existem patrocínios de terceiros envolvidos nas áreas em questão. 

Esta onda de estudos teve o seu boom há 10 anos e começou com os animais de companhia (maioritariamente, cães), e nos últimos cinco a sete anos, tem existido um crescimento dos “benefícios dos cavalos para terapias e outras actividades sociais. 

Numa área de estudo científico, defendo que deva existir uma imparcialidade e equilíbrio dos mesmos, sejam os resultados abonatórios ou não. As futuras pesquisas deveriam forcar-se não nos benefícios de A para B (ou vice-versa), mas sim nas consequências a curto, médio e longo prazo dessas atividades tanto para A como para B. Esta opinião deve-se à quase inexistência de estudos sobre os efeitos nefastos das atividades sociais e desportivas humanas para com os não humanos, e os poucos existentes apresentarem, na sua maioria, resultados considerados inconclusivos e que carecem de mais pesquisa. 

O antropomorfismo está presente quando o comportamento humano e as habilidades mentais humanas são usadas como um sistema de referência para explicar o carácter de um indivíduo ou de uma espécie não humana. Embora o antropomorfismo crítico possa ser benéfico para um estudo mais profundo da compreensão do comportamento animal, principalmente as questões 1 (função) e 2 (evolução) do biólogo Tinbergen , considero imprudente o seu uso em frases como “Ele gosta” ou “Ele é feliz”, entre outros argumentos que apelam aos sentimentos, na sua maioria falaciosos, como justificação para o uso dos cavalos para os mais variados fins na sociedade, incluido o egoísmo humano.

A minha prudência nestes argumentos rege-se principalmente pelos conceitos teórico-práticos do bem-estar animal, tendo em consideração as suas necessidades naturais; pela pesquisa de vários estudos científicos; e pelas questões éticas envolvidas. 

Neste tópico das consequências para as espécies, devemos discutir a necessidade de usar animais não humanos para várias atividades sociais, esportivas e recreativas e considerar seus limites.  A seguir, destaco alguns artigos para vossa reflexão.

Um artigo publicado em Fevereiro de 2019 sobre o uso dos “jiggers” na corrida de cavalos

Noutra vertente desportiva, este artigo de 2016 alerta para as práticas pouco ortodoxas que modificam a locomoção e a postura dos cavalos para práticas desportivas, o que influencia diretamente em vários aspectos do bem-estar. 

Este artigo alerta para cautela no uso de medicamentos como corticosteroides e coloca os cavalos em maior risco de lesões.

Um estudo promissor de 2009 mostra as primeiras evidências possíveis de que o trabalho pode ser uma fonte de comportamento repetitivo anormal.

Carruagem de cavalos em ambiente urbano.

Fiz uma consulta científica à provedoria dos animais da Câmara Municipal de Lisboa sobre carruagens urbanas. A pesquisa revelou, além da falta de regulamentação dessas atividades e da inexistência de educação em primeiros socorros, as seguinte questões gerais relacionadas à saúde dos equídeos:

  • A claudicação devido ao trabalho contínuo em ruas pavimentadas, juntamente com calçados impróprios ou pouco seguros.

  • As cólicas e problemas gastrointestinais resultantes da falta de exercício, principalmente durante os períodos de fraco turismo sazonal e de mudanças bruscas na alimentação, da alimentação de baixa qualidade ou das alterações no cronograma de alimentação.

  • A doença pulmonar obstrutiva crônica é o problema respiratório mais comum em vários meios urbanos e os cavalos de tração parecem ser mais afetados do que os cavalos ou mulas fora desses ambientes. Embora a poluição do ar urbano fosse sugerida como um fator contribuinte, não existem dados suficientes que permitam confirmar ou negar essa alegação.

  • O síndrome de rabdomiólise é um grande problema médico para todos os cavalos de transporte, que tem como histórico os vários dias de trabalho vigoroso, como os períodos altos de turismo sazonal, seguido de alguns dias de descanso sem a redução da alimentação, seguido do cavalo ser amarrado nas primeiras horas de retorno ao trabalho. No entanto, os casos também podem ocorrer sem esse histórico. As éguas parecem ser mais comumente mais afetadas do que os castrados (Harris, 1997). Esta condição pode ser fatal sem um cuidado veterinário imediato.

  • Os problemas de pele e feridas de arreios: As feridas abertas na pele de arreios mal ajustados são uma declaração óbvia de falta de experiência, desatenção e insensibilidade do operador.

  • O golpe de calor ou insolação é uma ameaça para os cavalos que trabalham num ambiente urbano. O arrefecimento pouco frequente dos cavalos através de rega, o acesso precário a eletrólitos, a obesidade, as condições precárias, a alta humidade, as doenças e as condições do pavimento quente podem ser fatores contribuintes. As temperaturas do pavimento geralmente excedem bastante a temperatura do ar ambiente.

  • O risco de acidentes é um grande problema para todos os cavalos que trabalham num ambiente urbano. Se os cavalos correrem assustados por algum motivo, o espaço de fuga pode estar condicionado ao próprio ambiente urbano, envolvendo o risco de acidente com as pessoas dentro e fora da carruagem, veículos ou outros objectos circundantes. No entanto, os acidentes graves envolvendo carruagens são incomuns, certamente devido à selecção feita para este tipo de transporte e da escassez de documentação pública de reportes dessas situações.

Notas e recomendações pessoais

  • Uma reflexão sobre a real necessidade (custos vs. benefícios) da utilização de equídeos para as atuais atividade turísticas no século atual.

  • A necessidade de se estabelecer uma definição clara de bem-estar dos equídeos nas diferentes atividades e as normas que considerem necessárias para a promoção dos cuidados essenciais e das liberdades gerais garantidas aos animais de acordo com o documento do Farm Animal Welfare Council (1993).

  • Procure o conhecimento dentro da bibliografia e referências confiáveis, desenvolva o pensamento crítico sobre todas essas questões e nunca tenha medo de mudar de opinião se julgar necessário, não só para você, mas também para eles.

Nota do autor

Este artigo é uma compilação alargada e atualizada de dois artigos publicados originalmente no Jornal “Os bichos” em Junho de 2018 e Fevereiro de 2019.

Esta última atualização necessária (julho de 2021) resulta de um grande número de visitas e partilhas. Eu tive a preciosa colaboração especial da Tilde Detz-Jensen, do etologi.dk, a qual agradeço a análise e a impressionante capacidade de observação para os pequenos detalhes. Todas as opiniões são minhas.

Última atualização: Julho de 2021.

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